It Don’t Matter

Enquanto os brasileiros acompanhavam PSG x Barcelona pela Liga dos Campeões, discretamente, como uma nota de rodapé, saiu a convocação do Brasil para o amistoso contra a Bolívia. Justo. Um destaque adequado para um jogo que tem uma causa nobre, com parte da renda sendo destinada aos familiares do garoto Kevin (morto no jogo entre San Jose e Corinthians pela Libertadores). E só.

Importa? Nomes sem sentido, tentativas de explicação sem o mínimo de coerência. Ou tentar não prejudicar o time agora é tirar seus principais jogadores e chamar um sub-20 só para amenizar as coisas? Parece que esse tipo de coisa faz com que cada vez mais a torcida se importe menos com a seleção. Primeiro o time de coração, agora os grandes jogos europeus. A seleção é a nota de rodapé. E, na boa, se não importa pra eles, não importa pra mim.

Agora só falta ouvirmos um “sai que é sua, Matheus Vidotto”. Até Donavon Frankenreiter soa melhor. E sua música tem a velocidade e energia que serviria perfeitamente de trilha para essa seleção pré-Copa.

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Quero uma camisa do Messi na Copa, não me matem

“O futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes”
Arrigo Sachi (ex-treinador da seleção italiana de futebol)

Esporte deve ser tratado como esporte, religião como religião, política como política e assim por diante. O episódio ocorrido na tarde deste domingo no Couto Pereira, em Curitiba, é mais um capítulo triste do nosso futebol, do país e dessa civilização. Se uma menina de 12 anos não pode ir a um estádio de futebol pedir a camisa de um jogador do time A apenas por estar no espaço reservado para a torcida do time B, tudo está muito errado.

Porém, os argumentos de que “as torcidas são assim mesmo”, “não há nada a ser feito” e “esse tipo de comportamento é normal” chegam a ser tão absurdos quanto o fato em si. Certamente o que ocorreu na torcida do Coritiba neste domingo não seria diferente com outras torcidas, em outras cidades e com outros personagens. Mas isso não pode evitar que fiquemos inconformados.

No Brasil, já testamos a torcida única, a separação quilométrica de torcidas, a proibição da bebida alcoólica e de determinados objetos, tudo em vão. A tolerância da ala podre do povo brasileiro não aumentou com nada disso.

Infelizmente não sei de que forma poderia ser diferente, mas não quero fazer parte dos simplistas e conformados que não acreditam que dá pra mudar. Se nada mudasse, os brasileiros ainda seriam oprimidos pelo regime militar ou ainda negociariam escravos negros, por exemplo. Assim como a Premier League (o Brasileirão dos ingleses) não seria o campeonato nacional de futebol mais rico e valorizado do mundo se a batalha contra os hooligans terminasse quando os primeiros conformados argumentassem que “eles são assim mesmo e não vamos conseguir mudar”.

Eu sempre fui prudentemente medroso para esconder a camisa do meu time até chegar e logo após deixar o estádio em um jogo no campo adversário. Certamente faria o mesmo hoje caso fosse levar minha filha a um jogo de futebol. Porém, neste dia 30 de setembro, um pai e uma menina de 12 anos resolveram testar mais uma vez a civilidade do povo brasileiro. Infelizmente, provaram que não evoluimos.

Se o planeta resistir, as futuras gerações certamente não vão entender como o povo que conseguiu voar, foi até a Lua e encontrou curas para as mais terríveis doenças, também morria de fome, matava por dinheiro e brigava pelas mais tolas rivalidades e diferenças, como as futebolísticas.

Espero que o Brasil nunca seja potência de nada, enquanto parte dos brasileiros continuar com pensamentos tão escrotos. Também espero não apanhar caso consiga uma camisa no Messi na Copa de 2014.

Obs: Acho que devo destacar que não estava no estádio. Tudo o que disse aqui foi baseado em reportagens e relatos que vi na televisão e li na internet.