As Tears Go By

A vingança da fantástica virada brasileira contra a Rússia no vôlei feminino em Londres veio rapidamente, no torneio masculino. Mais cruel, porém, foi o pano de fundo para a derrota do time comandado por Bernardinho. Uma final olímpica.

O choro dos atletas, principalmente dos que deixam a seleção após longos anos, como no caso do líbero Serginho, ilustram o que é a derrota para um time que acostumou a ganhar. E a derrota novamente na final dos Jogos, quatro anos após perder para os Estados Unidos na decisão.

O time masculino do Brasil no vôlei não dá qualquer motivo para ser questionado. O incrível trabalho realizado nos últimos anos obviamente faz com que todos os brasileiros esperem nada menos que um ouro. O que não quer dizer que uma equipe que faz de tudo para superar os melhores e consegue isso dentro da quadra não tenha seus méritos.

Os sempre campeões do Brasil caem mais uma vez de pé e com a certeza de que estarão prontos para encarar qualquer adversário nas competições futuras. Porém, o último dia de competições foi o dia dos russos, que conquistaram seu primeiro ouro no esporte. “I sit and watch the children play. Doing things I used to do. They think are new. I sit and watch as tears go by”.

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Coming Back To Life

A medalha de ouro nos Jogos de Pequim parece não ter sido suficiente para que as meninas do vôlei ganhassem a confiança dos brasileiros. É verdade que o início da disputa em Londres não foi bom para a equipe de José Roberto Guimarães, mas com uma recuperação incrível, principalmente contra a Rússia, as campeãs chegaram a mais uma final e conseguiram superar as favoritas norte-americanas. Uma volta triunfal.

Após serem atropeladas no primeiro set, as brasileiras foram quase perfeitas na sequência e venceram por incríveis 3 a 1. Mais do que a vitória do ouro, o Brasil estava há um ano sem vencer os Estados Unidos e já havia perdido na primeira fase.

No treinador, a figura do equilíbrio, serenidade e vontade de vencer que transparece nas jogadoras. Humildemente, como quem dependia de outros resultados para se classificar na primeira fase, o Brasil voltou ao topo do pódio.

Vale ressaltar também o empenho dessas meninas que já foram campeãs e sabiam que o desafio de se recuperar com o campeonato em andamento era muito grande. Elas poderiam ter optado pelo caminho mais fácil e a eliminação precoce, que não seria nenhum absurdo, garantiria alguns dias de passeio em Londres. Porém, a segunda fase do Brasil nesses Jogos é o resumo de uma conquista inesquecível. Um dos ouros que certamente não será esquecido por dezenas de milhões de brasileiros.

The Importance Of Being Idle

O futebol masculino olímpico é um estranho no ninho dos Jogos. O esporte é o único com limitação de idade para os atletas, um dos poucos jogados boa parte do tempo longe da cidade-sede e o torneio começa a ser disputado antes mesmo da cerimônia de abertura. Com isso, quase ninguém liga para a modalidade nas Olimpíadas. Entre as raras exceções esta o Brasil.

Por tudo isso, a prata conquistada em Londres vale muito pouco para os brasileiros. A equipe de Mano Menezes teve dificuldade contra a fraca Honduras e não foi capaz de superar o México. Em um campeonato de nível técnico baixo, a seleção que será a base para a Copa de 2014 mostrou que tem muito para evoluir.

Além da pressão pela conquista na Copa de 14, o fracasso nas Olimpíadas prova que há muito o que ser melhorado no futebol brasileiro. Desde a formação básica dos jogadores, como cidadãos, até taticamente, dentro de campo. Nossos atletas precisam ter a noção do que significa vestir a camisa da seleção e também precisam ser psicologicamente preparados para trabalhar duro e suportar a pressão. “I can’t get a life if my heart’s not in it”.

Os brasileiros precisam ter ainda a humildade para entender que o chamado “país do futebol” há alguns anos joga um futebol que é pior que o de outras seleções. Para reconhecer que a organização, administração e formação de atletas no nosso futebol apresenta diversas falhas que refletem nas recentes derrotas para o México, por exemplo. “It ain’t no place to be killing time. I guess I’m just lazy”.

O Brasil nao é favorito, não tem o melhor futebol ou equipes do mundo atualmente. Reconhecer isso é o primeiro passo para evoluir. Assim como hoje reconhecemos que o bom trabalho do vôlei nos colocou no primeiro patamar do esporte no mundo, o trabalho ruim no futebol está nos tirando desse nível. Só talento não vai resolver.

Alive & Kicking

“What you gonna do when things go wrong?”, “Who is gonna come and turn the tide? What’s it gonna take to make a dream survive?”. Só o time de Bernardinho parece ter a resposta para todas essas perguntas no esporte brasileiro. Após passar por momentos difíceis em campeonatos anteriores, pela crise com o levantador Ricardinho e dificuldades no início dos Jogos, o Brasil prova porque ainda é a grande seleção mundial no vôlei masculino.

A envelhecida equipe italiana chegou à semifinal com as credenciais de quem havia eliminado os favoritos norte-americanos por três sets a zero. Contra o Brasil, os velhinhos pareciam juvenis admirados com um vôlei absolutamente superior. Sem chance para respirar e após um segundo set brasileiro quase perfeito, a Itália deve ter sentido saudade dos tempos em que era a nossa grande rival no esporte.

O massacre de Wallace, Sidão, Lucão e Dante colocou o Brasil mais uma vez em uma final olímpica e deu cara de ouro para aquela que é certamente uma das equipes mais vitoriosas do mundo na história dos esportes coletivos. Que os homens de Bernardinho consigam superar a Rússia para se igualarem ao norte-americano Michael Phelps, ao jamaicano Usain Bolt e, provavelmente, ao time de basquete norte-americano no grupo de atletas e equipes que provaram, com sobras, porque são insuperáveis nos Jogos de Londres 2012.

Não importa a fase, as lesões ou o momento dos adversários. Sempre será o incrível vôlei masculino do Brasil. Alive and kicking.

Mais Brasil

No boxe, Esquiva Falcão ainda luta pelo ouro, enquanto seu irmão, Yamaguchi, perdeu nas semifinais e ficou com o bronze. O esporte que até hoje só havia conquistado uma medalha em Olímpiadas, voltará de Londres com três, incluindo a primeira do boxe feminino.

Imagem do dia:

Com o tempo de 40.82, as norte-americanas bateram os recordes mundial e olímpico do revezamento 4x100m que duravam 26 e 32 anos respectivamente

E neste sábado….

Fique de olho:

AP
Nome: Esquiva Falcão Florentino
Idade: 22 anos
País: Brasil
Esporte: Boxe
Por que ficar de olho? O Brasil chega a sua primeira final olímpica no boxe com Esquiva Falcão. O brasileiro enfrenta o japonês Ryota Murata pelo ouro.

Imperdível:

11h: Brasil x México – Final futebol masculino
14h30: Brasil x Estados unidos – final vôlei de quadra feminino

Speed King

O rei da velocidade em um reino cheio de príncipes. Com menos de três milhões de habitantes, a Jamaica tem os três homens mais rápidos do mundo na prova dos 200 metros rasos. Usain Bolt, o rei, olha pro telão, pro lado, pede silêncio e até diminui o ritmo de corrida nos últimos metros para calar os críticos. Bater o recorde pra quê? “I’m a speed king see me fly”.

Entre os mortais, novamente Yohan Blake foi o melhor, seguido por Warren Weir. Os dois jovem jamaicanos estão com 22 anos e torcem para que o reinado de Bolt não dure para sempre.

Todo o resto já foi falado. Além de rei das pistas, Bolt faz a festa do público, dos jornalistas, dos fotógrafos, dos outros atletas. Um esportista muito acima da média que ainda teve a sorte de nascer em um país que é visto com simpatia pelos demais. Terra do reggae e da velocidade.

Vida longa ao rei. E viva a Jamaica.

Brasil

A quase medalha de Diogo Silva no taekwondo e o quase ouro de Emanuel e Alison no vôlei de praia fizeram da quinta-feira um dia difícil pro Brasil. Valeu a vitória do vôlei de quadra feminino que arrasou o Japão e está na final para defender o título contra os Estados Unidos. Uma belíssima recuperação das meninas de ouro do Brasil.

Imagem do dia:

Pódio de um país só no Atletismo

E nesta sexta-feira….

Fique de olho:

Nome: Oscar Leonard Carl Pistorius
Idade: 25 anos
País: África do Sul
Esporte: Atletismo
Por que ficar de olho? O sul-africano Oscar Pistorius defenderá seu país no revezamento 4x400m e poderá se tornar o primeiro biamputado medalhista olímpico

Imperdível:

15h30 – Brasil x Itália – semifinal vôlei masculino

Feelin’ Alright

Perder é ruim, perder da Argentina é muito pior. O clichê de Galvão Bueno às avessas poderia expressar o que significou a derrota da seleção masculina de basquete para os rivais antes de chegar na disputa por uma medalha. Poderia. A evolução da equipe e o jogo apresentado em Londres vão muito além da derrota nesta quarta-feira. Nestas Olímpiadas, o Brasil provou para o mundo que o seu basquete renasceu.

Além de partidas dignas em amistosos, o Brasil se classificou na primeira fase dos Jogos com quatro vitórias e apenas uma derrota. Obviamente a equipe alternou momentos bons e ruins. Porém, não é possível exigir muito de jogadores que ao contrário de outras seleções, como os rivais argentinos, jogam juntos há pouco tempo. Além disso, mesmo contando com alguns atletas da NBA, os brasileiros não disputavam os Jogos Olímpicos há muitos anos.

O momento argentino não é o melhor, mas pode ser comparado ao time brasileiro masculino de vôlei que, após tantas conquistas e disputas em fases finais, busca inspiração nos momentos decisivos e supera as dificuldades para conseguir crescer na hora certa.

É preciso valorizar o trabalho da seleção masculina de basquete que em pouco tempo reunida resgatou o verdadeiro espírito do esporte no Brasil. Novamente estamos entre os grandes. Já podemos voltar a sentir orgulho.

Mais Brasil

Bronze com Juliana e Larissa no vôlei de praia, bronze com Adriana Araújo no boxe. Além das duas medalhas, Yamaguchi Falcão venceu nas quartas de final do boxe e garantiu pelo menos mais um bronze pro Brasil. No vôlei de quadra, os argentinos não tiveram qualquer chance contra o Brasil que passou para as semifinais com um 3 a 0.

Imagem do dia:

Getty Images

No salto com vara, o cubano Lázaro Borges levou um susto ao ver seu equipamento quebrar em três partes


Veja o vídeo

E nesta quinta-feira….

Fique de olho:

Mauricio Kaye/CBV
Nomes: Alison Conte Cerutti e Emanuel Fernando Scheffer Rego
Idade: 26 e 39 anos
País: Brasil
Esporte: Vôlei de praia
Por que ficar de olho? A dupla brasileira disputa o ouro na modalidade às 17h.

Imperdível:

16h55: Final dos 200m rasos – Atletismo

No You Girls

“No, you girls never know, oh, no, you girls will never know”. Não, meninas, vocês nunca vão saber o que fizeram o Brasil sentir hoje. Poucas vitórias e até medalhas foram comemoradas pelos brasileiros como essa contra a Rússia no jogo pelas quartas de final nesta terça-feira.

A Rússia pode não ser a Argentina, o vôlei pode não ter o mesmo significado do futebol para os brasileiros e as meninas das quadras podem até ser alvo de uma desconfiança que não atinge os rapazes. Esses fatores tornam ainda mais “dourada” a vitória épica contra o time russo.

Os seis match points salvos no jogo de hoje vingaram com juros cada um dos cinco perdidos na semifinal em Atenas 2004 contra a mesma Rússia. A decepção de Mari que falhou dois ataques decisivos há oito anos foi compensada pela tristeza da gigante russa Gamova em Londres. Nada como uma Olimpíada após a outra.

As jogadoras do time de José Roberto Guimarães sofreram na primeira fase e só passsaram graças a uma combinação de resultados. Agora, de verdade, pouco importa se esse time terá forças para chegar ao ouro que parece muito próximo dos Estados Unidos. Assim como qualquer outro resultado na Grécia foi ofuscado pela triste derrota para a Rússia, qualquer outro jogo em Londres não poderá ser comparado ao sentimento que as atuais campeãs olímpicas proporcionaram aos brasileiros na tarde desta terça.

Obrigado. Vocês nunca vão saber.

Mais Brasil

Alegria nas quadras, tristeza na praia. Juliana e Larissa faziam uma Olimpíada perfeita, mas perderam para as americanas Ross e Kessy que vão disputar a final contra as compatriotas Walsh e May. No handebol, a vitória contra as campeãs olímpicas e mundiais norueguesas esteve perto, mas ficou no quase. As meninas do Brasil voltam sem medalha, mas com a certeza de que fizeram pelo esporte algo jamais visto no Brasil. Competimos de igual para igual com todos os adversários e vencemos alguns que, até pouco tempo atrás, nos olhavam com absoluta inferioridade. No salto em distância, a campeã olímpica Maurren Maggi ficou fora da final, em 15º.

Entre os homens, a seleção de futebol venceu fácil a Coreia do Sul e vai para a final contra o México. Outra final garantida é a da dupla Alison e Emanuel no vôlei de praia.

Imagem do dia:

Getty Images

O alemão Robert Harting ganhou o ouro no arremesso de disco e na comemoração rasgou a camisa e saiu pulando os obstáculos da pista de atletismo no Estádio Olímpico

E nesta quarta-feira….

Fique de olho:

Reuters
Nome: Adriana dos Santos Araújo
Idade: 30 anos
País: Brasil
Esporte:Boxe
Por que ficar de olho? Na estreia do boxe feminino em Olimpíadas, Adriana garantiu pelo menos o bronze e quebrou um jejum de 44 anos do Brasil sem medalha no esporte. Contra a russa Sofya Ochigava ela busca uma vaga na final.

Imperdível:

16h: Brasil x Argentina – quartas de final do basquete masculino