Given to Fly

O futebol é uma caixinha de surpresas. Mas há quem diga que quem não faz, toma. Ou seja, nesse esporte de emoções tão efervescentes, a mais genérica das afirmações caminha de mãos dadas com a ciência exata. E quer saber, é tudo verdade.

Afinal, quem poderia esperar tantas reviravoltas na campanha do Atlético Mineiro na Libertadores de 2013? Certamente os defensores do ‘time que faz a melhor campanha na primeira fase não conquista o título’ é que não. Mas talvez a turma do ‘não tem mais bobo no futebol’ (nem o The Strongest) esperasse.

E a medida que ganhava daquele jeito, sofrido, que só quem é torcedor atleticano sabe, chegou a sorte de campeão. Tudo dava certo. Como uma conspiração divina capitaneada pelo Papa Francisco que até veio ao Brasil garantir seu pacto. Se Deus usou a mão para marcar um gol em Copa do Mundo, uma rasteira no atacante com o gol livre em uma final de Libertadores não poderia ser condenada.

Tudo isso, claro, combinado com a óbvia compra do campeonato pelos dirigentes mineiros. Uma negociação certamente conturbada, com direito a defesa de pênalti com os pés nos acréscimos e, mais tarde, um gol do adversário em momento de rara precisão na cobrança de falta com a bola entrando no ângulo. Grandes atores.

Brasileiro não tem a frieza pra bater pênalti. E mesmo assim os adversários foram caindo. Mesmo aqueles que têm camisa pesada. Mesmo contra um adversário sem tradição em Libertadores, que fatalmente tremeria nos momentos decisivos. Mesmo com um tremendo pé frio no comando.

E com todo esse roteiro, o raio ainda caiu duas vezes no mesmo lugar. As derrotas fora de casa por 2 a 0 na semi e na final. O empate dramático. A loteria dos pênaltis. O herói. Deve estar milionário esse Victor.

Um momento que emociona qualquer amante do futebol. É teste pra cardíaco. Nada de cavalo paraguaio. É Galo. E se quem tem boca vai a Roma, quem tem bico…vai pelo menos até o Marrocos.

Olhe para o Galo agora. Ele já pode voar.

Friends Will Be Friends

Tive a honra de trabalhar com o Silvinho por cerca de dois anos, entre B2 e Lumen. Posso dizer que ele foi a primeira pessoa que fazia o que eu, ainda estudante, sonhava fazer. Que sorte a minha. Além do futebol, foram horas de conversas sobre música, jornalismo, e tantos outros assuntos. É impossível medir a contribuição dele na minha carreira profissional. Ético e justo como poucos que conheci, daquelas pessoas que você agradece por terem feito parte da sua vida. Fazia isso com tanta naturalidade que muito provavelmente ele nem saiba o tamanho da contribuição na minha vida. As boas coisas que eu possa vir a fazer no jornalismo, no esporte e nessa vida sempre terão uma dose dos ensinamentos de quem, lá no começo, nunca deixou de ouvir e dar conselhos ao estagiário que sentava ao lado.

Obrigado, meu amigo Silvio de Tarso (1951-2013).

Fico feliz por ter feito, na faculdade, um registro seu em vídeo, falando sobre aquilo que você sempre fez tão bem…